sábado, 26 de fevereiro de 2011

O Caso da Finisterra do Noroeste

Escrito por Francisco da Cunha Leão






Agora a periferia galega. No cotovelo da costa cantábrica com a atlântica, ela forma o noroeste da Península, e ao maciço seu esqueleto orográfico (galaico-duriense), articula-se o relevo do Portugal de além-Vouga.

Temos que fundamentalmente constitui a mesma nação que a portuguesa, para cuja formação concorreu decisivamente meia Galiza, influindo de tal sorte no conjunto humano e na idealidade do novo Estado que o substracto psicológico português, as atitudes frente ao mundo e à vida, e os móveis de acção se mostram similares, salvaguardadas que sejam as consequências do trânsito histórico, do activismo político e da integração de ingredientes exóticos. O asserto verifica-se até nos luso-descendentes. Reservamo-nos para discutir o tema e a tese a propósito da periferia não absorvida, irredutível que é Portugal. Por ora, interessa-nos apenas traçar um breve escorço das razões a que atribuir o irremediável afastamento da esfera política portuguesa de uma região que naturalmente se lhe devera associar, como participante do mesmo todo.

Está em primeiro lugar a cisão da faixa atlântica pelo rio Minho, acontecida no reinado de Afonso VI de Leão (cuja largueza de senhorios já lhe justificava a designação de imperador) com o desmembramento do Condado Portucalense no regime de feudo directo da Coroa, e não subordinado ao condado da Galiza, ao contrário do que tem corrido nos compêndios conforme às já rebatidas opiniões de Herculano e Gonzaga de Azevedo (1).

Desde os primeiros reis asturianos, a Galiza, libertada por Afonso I, o Católico, dos mouros que a não haviam ocupado por inteiro (2), surge espontaneamente da monarquia cristã, ora com governo próprio, ora mesmo como reino, até que o centro do novo Estado foi transferido para Leão. De outro modo, os ressentimentos locais logo deflagravam pelas armas numa terra de vastos senhorios e turbulenta nobreza.

Restabelecida por Afonso VI a unidade do grande Estado de Fernando, o Magno, e para mais alargado este, a situação da Galiza começou a tornar-se excêntrica, bem como a de toda a faixa ocidental já definitivamente assente na linha da Serra da Estrela e do Mondego.

Cada vez se deslocava mais para a meseta central o tablado político e militar. Todavia a irrequieta província do Noroeste não podia ser menosprezada, nem assim a reconquista dos litorais do ocidente. Estas circunstâncias determinaram, como é sabido, por influência da Ordem de Cluny, a atribuição do governo da Galiza, como condado, a D. Raimundo, e a formação de um outro, desentranhado do primeiro, confiado a D. Henrique. Os dois condes e parentes ficaram ligados ainda pelo casamento com duas filhas do próprio soberano.

A divisão da Galiza pelo Minho, além de não ser destituída de fundamento geográfico, posto que meramente local, - dadas a grandeza e veemência das afirmações pessoais que de uma e outra banda se manifestaram, simultâneas ou a curta alternância, e as imperiosas linhas de força divergentes em que tiveram de inserir-se, arrastadas, as duas metades da Galiza, originou dois quadros políticos cedo tornados inamovíveis, contra o que seria de prever do que não passava de simples arranjo de oportunidade sobre um todo territorial e humano homogéneo.


 Santiago Matamoros


Expliquemos e desenvolvamos quanto baste para se tornarem inteligíveis os factos que transformaram numa separação de Estados o que não passa de mero limite administrativo, à moda feudal da época:

a) A fronteira pelo Minho era a mais indicada, admitindo-se, como é evidente, ser ao mesmo tempo necessária a divisão da Galiza. Impunha-se assegurar a defesa e o combate aos sarracenos ao longo do Atlântico, numa circunscrição especial fronteira do tipo marca. Daquela Galiza centrada em Compostela por motivos religiosos e políticos, era difícil a condução da guerra para o Gharb. O reino iniciado em Oviedo, esse deslocara a capital para Leão, em plena meseta peninsular, e iria deslocá-la para Toledo, obedecendo aos imperativos da luta cada vez mais ao sul. As sucessivas contendas internas e as preocupações com o Islão seu fronteiriço, mal lhe permitiam desvios a oeste.

A divisória estabelecida, repetimos, era a mais indicada. Além de apartar distritos políticos (portucalense e conimbricense) que constituíam o mínimo indispensável de território e gente para resistência, povoamento e ataque, não lhe faltava sequer fundamento natural - o melhor que poderia encontrar-se para uma dicotomia da Galiza de então.

Isso não provinha propriamente de a fronteira se apoiar num rio, por sinal o maior do interior da terra galaica, porque os rios, as mais das vezes, antes agregam que dividem. Mas o curso inferior do Minho - ao contrário do que acontece a montante, além-da-fronteira, na várzea do ribeiro de Orense - dispõe de um vale estreito, em grandes troços alcantilado, com escassas passagens para o hinterland.

A linha mestra das comunicações na parte portuguesa acompanha o mar, ou segue a curta distância dele, ao longo de uma planície ou sequência de terreno pouco acidentado que ininterruptamente vai de Caminha a Viana, e com variantes até ao Porto, e daí para o sul ramificada na maior largura do triângulo litoral português. Essa linha mestra sofre uma distorção para leste ao longo da margem esquerda do Minho até Valença, para se internar por Tui, na Galiza propriamente dita, até Pontevedra, Caldas de Reyes, Padrón e Santiago, aflorando aí o mar somente nos extremos orientais das escarvadas rias.

Aliás, o principal caminho histórico entre a Galiza e Portugal, por essa razão e pela importância de Braga, afastava-se muito do mar. A foz do Minho aparta dois tipos de costas: ao norte, em vez de baixa, pouco recortada, com rochedos e praias, a costa segue agreste, escarpada, inóspita, por Oya e Baiona (3). Observa-se a partir daí a principal individualização geográfica da Galiza em relação ao Entre-Douro-e-Minho: as costas altas entremeadas das profundas reentrâncias das rias que, além de óptimos portos naturais, levam a maresia ao íntimo das terras. Isto dá um carácter anfíbio a muitas povoações galegas, o arvoredo e os milheirais descem às águas já pouco salinas daqueles braços de mar, enquanto quedam barcos e apetrechos marinhos pelo meio dos campos, debaixo das ramadas ou rentes aos canastros e cruzeiros de granito esculpido.

A divisória dentro da Galiza latu sensu foi portanto a mais natural (4). O mesmo se não infere para uma fronteira entre nações, porque geograficamente (à parte o facto apontado) quase se não dá pela transição, e no mais, em culturas agrícolas, fisionomia económico-social, população, o Minho nada separa como no famoso desenho de Castelão.

b) O achado da sepultura de Santiago Apóstolo - em apoio da lenda do evangelizador da Península, cujos restos mortais teriam sido trazidos para cá depois do martírio - ocorreu no princípio do século IX (ano de 813) com autenticidade logo aceita (5) dando origem a Compostela (de Campus Stellae) ao tempo em que corria na Espanha a primeira de todas as cruzadas. A urbe que brotou no local depressa originou outra Jerusalém. Logo a nova cidade santa se converteu no principal centro de peregrinação de todo o Ocidente, uma Anti-Meca, no dizer de Américo Castro, mercê do interesse que a Igreja pôs em estimular a fé na Península, e atrair a esta, em luta com os sarracenos, as dedicações religiosas e militares, e também por obra de valorização local da parte dos prelados de Compostela. O fundo céltico da Galiza, propenso ao maravilhoso, veio servir o cristianismo, com a dinamogenia deste novo mito.

Catedral de Santiago de Compostela







A estrada de Santiago que de França conduzia a Compostela (6), apoiada em conventos, albergues, hospitais e defendida por cavaleiros, foi calcorreada durante séculos por um vaivém ininterrupto de peregrinos. De nada valeram as vieiras - o símbolo marítimo.

O vínculo das peregrinações amarrou à Espanha continental e ao resto da Europa à Galiza, quando Portugal, virado ao sul, iria divergir para o caminho dos mares. Veio, volvidos séculos, acentuar a disjunção entre Galiza e Lusitânia operada pela divisão administrativa e rede de estradas do Império Romano, ao ser incluído o além-Douro na Espanha Citerior, articulado ao nódulo de comunicações de Astorga, - assunto de que trataremos noutro lugar.

c) O facto foi aproveitado e estimulado pelos bispos santiaguenses, em especial Diego Gelmirez que recebeu o báculo no ano de 1100. Esse homem pertinaz e dúctil governou a Igreja compostelana até 1140 e, com alternativas de maior ou menor influência, a própria Galiza. Ensilveiravam-se-lhe na mente dois soberanos pensamentos que, segundo Manuel Murguía, foram: «el de la sublimación de su iglesia y ciudade y el engrandecimento del país gallego» (7). Conseguiu-o numa vida de lutas porfiadas que a História Compostelana exalta.

Em contrapartida, Alexandre Herculano interpreta-o duramente como figura monstruosa de ambição e duplicidade (8). Há que atender à época e às complexas circunstâncias que obrigaram o Prelado a um duplo jogo contínuo: a desconfiança pontifícia que encontrou quanto à Diocese de Compostela, a que se atribuía uma posição orgulhosa, rival, em relação a Roma; o xadrez feudal galego no qual sobressaía o poder e a vontade dominadora da Casa de Trava; a volubilidade matrimonial e política da rainha D. Urraca consorciada em segundas núpcias com o poderoso Afonso I de Aragão. A obra realizada foi notável: engrandeceu a sua Igreja e a sua cidade; senhoreou muitas vezes o curso dos acontecimentos; conseguiu emancipar a diocese de subordinações metropolitanas, com dependência directa de Roma e elevação de ordinário à categoria de Arcebispo; salvaguardou a autonomia galega no quadro da monarquia leonesa.






Agarrado em demasia ao terreno, a sua visão não excedeu porém o regionalismo e será de atribuir-lhe boa parte da responsabilidade da fractura entre Portugal e a Galiza. A encarniçada pugna que sustentou contra a Arquidiocese de Braga, quase sempre com vantagens, e a participação constante nas querelas de um enorme reino em que os germes centralistas prevaleciam e no qual a Galiza não podia dominar por lhe ficar cada vez mais excêntrica, concorreram para tornar definitiva a fronteira do Minho, na ilusão de uma baldada esperança - quando, a partir da outra margem pelos descampados do Gharb progredia a imorredoira gesta que iria consolidar Portugal, e com ele uma periferia autónoma, voltada à liberdade dos oceanos.

Se Gelmirez tivesse aceite o asilo que lhe ofereceu a condessa portugalense D. Teresa, suserana dos bispos de Orense e Tui, na altura em que acudira à defesa de uma rainha traiçoeira que logo após o mandou encarcerar, talvez o rumo da história outro pudesse ter sido e a potência marítima lusíada receberia a favor do muito que fez um tal reforço, como os marinheiros de Padrón e Pontevedra, e esse viveiro rural do Noroeste, que seria de vaticinar-lhe grandeza porventura maior e seguramente mais sólida. A Galiza «podia ter arcado enquanto Portugal barcava», consoante a expressão feliz dum moderno ensaísta português (9).

O seu caminho não era engolfar-se pelo disputado planalto do Centro, atrelada ao carro de reis que a governavam de Leão, Valhadolide, Burgos e Toledo, mas acompanhar Portugal.

Se Braga tivesse detido a posição que fruíra antes das invasões muçulmanas - cabeça da Galiza como capital dos suevos associada à primazia eclesiástica do ocidente (10) - a marcha para o Sul não acarretaria por certo a rotura galaico-portuguesa.

d) Do lado portucalense, outros factores se criaram. Vigorosas afirmações pessoais também sobressaíram aqui, fortalecendo o núcleo da nacionalidade. O conde D. Henrique, D. Teresa, os magnates de Entre-Douro-e-Minho e Riba Douro, D. Afonso Henriques, oferecem-nos um friso de caracteres fortes cujo sentido político depressa se definiu numa linha que levou à independência e a destino próprio.


D. Afonso Henriques


Acrescente-se, para cá do Minho uma tendência de progressismo na estrutura social que não escapou a Sanchez Albornoz (11), em contraste com o que se verificava na Galiza, onde, segundo Murcia (12), as ferozes lutas entre os condes não permitiram que o sentimento popular tomasse o incremento que teve em outros povos.

Para mais, esses poderosos senhores dividiam-se em relação às intromissões e assuntos exteriores, contrastando com a unidade da nobreza portucalense perante idênticas circunstâncias. Resultaria tal união das entrelaçadas ligações familiares?

Não que os de aquém-Minho deixassem de ser tentados a tirar proveito das dissensões continentais. Houve hesitações, mas dissiparam-se a tempo. Prevaleceu e acabou por os absorver a missão que lhes impunha a ocupação da extensa margem de território em poder dos sarracenos, do vale do Mondego ao vale do Tejo e daí ao Algarve, em larga franja de litoral. D. Teresa manifestou mais amor aos seus domínios de além-Minho, de cujos bispos (Orense e Tui) garbosamente se fazia acompanhar, que aos de leste. E D. Afonso Henriques abandonou deliberadamente o senhorio de Astorga. Pela paz de Tui, desiste dos seus direitos sobre terras galegas para se votar por inteiro à reconquista do Sul. Poucos reinados bastaram.

No entanto, de uma e outra banda do Minho, na comum linguagem que os diferençava dos mais, dois povos irmãos cantavam por igual, produzindo uma das mais intensas e formosas florações poéticas da Idade Média, impregnada do mesmo inconfundível fundo sentimental que, hoje como ontem, nos dois lados persiste. Da profundeza dos séculos, mundivisão idêntica lhes selava as almas, desde as sepulturas pré-históricas aos primórdios cristãos, numa gnose própria, em que um paganismo típico se inseriu na redentora, universal doutrina (in O Enigma Português, Guimarães Editores, 1998, pp. 43-50).



Notas:

(1) Damião Peres, no seu trabalho Como Nasceu Portugal, em cuja 3.ª edição nos fixamos, rebate a tese da subordinação inicial do Condado Portucalense ao da Galiza, utilizando documentação mais recente, com argumentos que nos parecem decisivos.

(2) Àparte malhas menos importantes um extenso reduto se mantivera fora do domínio sarraceno, na diocese Iria Flavia e entre os rios Ulla e Minho, no abrigo de uma linha de montanhas, segundo Lopez Ferreiro.

(3) Silva Teles, Portugal - aspectos geográficos e climáticos, observa haver uma «mutação teatral». Ao norte do Minho a «terminação de um edifício alteroso); ao sul, a costa é «discordante em relação às formas orográficas».

(4) Já houvera outra divisória na Galiza romana, pelo rio Lerez, junto a Pontevedra, entre os conventos jurídicos Lucense e Bracarense. A Província não excedia então o Douro, pelo que a divisão era mais equilibrada e as facções mais homogéneas, pois o convento Bracarense incluía com o Entre-Douro-e-Minho e parte de Trás-os-Montes as actuais províncias de Pontevedra e Orense agro-socialmente afins. A fronteira pelo Minho nas circunstâncias em que foi atalhada, era a que tinha melhor fundamento estratégico e geográfico.

Imperador Carlos Magno


(5) A lenda da pregação na Península de S. Tiago é una lenda tardia, segundo Pierre David, e nela se inseriram outras menos verosímeis ainda. Quase instantaneamente se propagou, não tardando que o Papa Leão III desse crédito, por uma bula, à convicção do achamento da sepultura do Apóstolo próximo de Iria Flavia (Pádron) que o respectivo Prelado, o povo galego e o Rei Afonso II de Oviedo fervorosamente sentiram. O Imperador Carlos Magno foi dos primeiros peregrinos.

(6) Também conhecida por «caminho francês» por ser o que era seguido pelas principais peregrinações. Os quatro caminhos que vinham de França - três dos quais se juntavam em Ostabat para atravessar os Pirenéus, passar em Pamplona até Puente de la Reina, - formavam um só a partir deste lugar. O trajecto prosseguia por Estela, Burgos, Carrión, Sahagun, León, Astorga, Ponferrada, Portomarín e Ferreiros até Santiago. Atravessava Navarra, Leão e Castela pelas próprias capitais. «Por este camino llegaron a nosotros las influencias europeas y ilegaron a Francia las influencias compostelanas», diz Vicente Risco, (História de Galicia). A arte jacobea espalhou-se ao longo desse caminho. Em 1170 fundou-se a Ordem de Cavalaria de Santiago para proteger oe peregrinos e lutar contra os mouros.

(7) Manuel Murguía, Dom Diego Gelmirez, Editorial Nova, Buenos Aires.

(8) Alexandre Herculano, História de Portugal. Sanchez Albornoz, Españoles ante la Historia, dia que Gelmirez encarna «la sobre-humana astucia» e considera a sua acção para a Galiza equiparável à do Cid para Castela.

(9) Agostinho da Silva, Reflexão. Maior base populacional e lavradora nortenha, com espírito previdente e sofredor, teria contribuído muito para consolidar os êxitos ultramarinos de Portugal.

(10) A sedes metropolitanas, antes da invasão árabe, eram Tarragona, Toledo, Sevilha, Mérida e Braga. Esta última cidade foi por conseguinte a capital religiosa de todo o Noroeste. Após os primeiros embates a diocese que sobreviveu foi a de Lugo, beneficiada pelo prestígio bracarense, conforme Pierre David.

«Si Lugo joue le rôle de capitale réligieuse du royame asturien, c'est... parce que le metropolite de Braga y a fixé sa residénce» (Étude historique sur la Galice et Portugal, p. 124).

Nos fins do século IX restabelecia a diocese de Braga, esta logo empreendeu retomar a sua antiga importância. Mas pouco depois a obra de Gelmirez fez-se sentir. «Les archevêques Géraud et Maurice de Braga étaient donc à la tête d'un province eclésiastique à preu égale à celle que régissaient les metropolites de Braga à la période suève; seule la diocèse de Compostelle était exempte depuis 1095». (id. p. 168). Em 1118 ascendeu Compostela a arquidiocese.


Sé Catedral de Braga




















(11) Sanchez Albornoz, Españoles ante la Historia, p. 83: «En la terra de foris - los páramos de León y las llanuras de Castilla - y aún em la Terra Portucalensis fronteira, la repoblación y las necessidades de la guerra habian dado origem en el siglo IX y en el X a una massa numerosa de pequeños proprietarios libres; y sus servicios en la lucha contra el moro les habian permitido conservar sus privilegios. Pero en Galicia ni surgieron nuevos hombres libres ni hubo defensa posible para los pobres campesinos apegados al terruño desde havia milenios. La ventosa señorial los absorbio...»

(12) Manuel Murguia, Historia de Galicia, I tomo, p. 97.


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